quarta-feira, 11 de julho de 2012

Resenha Tripla – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres


Título: Os Homens Que Não Amavam As Mulheres – Série Millennium – Volume 1
Autor: Stieg Larsson
Gênero: Ficção / Policial
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 528
Preço médio: edição normal - R$ 42,00 / edição econômica – R$ 25,00
Onde Comprar: Saraiva | Cultura | Travessa | Fnac | Submarino

Os homens que não amavam as mulheres é um enigma a portas fechadas — passa-se na circunvizinhança de uma ilha. Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechara-se o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe uma flor emoldurada — o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer. Ou ser morta, pois Henrik está convencido de que ela foi assassinada.

Quase quarenta anos depois, o industrial contrata o jornalista Mikael Blomkvist para conduzir uma investigação particular. Mikael, que acabara de ser condenado por difamação contra o financista Wennerström, preocupa-se com a crise de credibilidade que atinge sua revista, a Millennium. Henrik lhe oferece proteção para a Millennium e provas contra Wennerström, se o jornalista consentir em investigar o assassinato de Harriet. Mas as inquirições de Mikael não são bem-vindas pela família Vanger. Muitos querem vê-lo pelas costas. Ou mesmo morto. Com o auxílio de Lisbeth Salander, que conta com uma mente infatigável para a busca de dados — de preferência, os mais sórdidos —, ele logo percebe que a trilha de segredos e perversidades do clã industrial recua até muito antes do desaparecimento ou morte de Harriet. E segue até muito depois... até um momento presente, desconfortavelmente presente.

A história acontece toda na Suécia, passando por várias cidades, mas com foco em Hedestad e Estocolmo. Os personagens principais são Mikael Blomkvist, Lisbeth Salanader, Henrik Vanger e Harriet Vanger, mas Matin Vanger também recebe destaque.

Mikael Blomkvist é um jornalista investigativo sério que escreve sobre o mundo econômico e seus tubarões. Ele é dono da Revista Millennium, juntamente com a sua sócia Erika Berger, com quem tem um caso desde a faculdade, que não acabou mesmo após ela se casar. Por um acaso do destino, ele encontra um velho amigo que lhe dá informações sobre Hans-Erik Wennerström, um dos maiores tubarões do mundo econômico, dono de um império empresarial e com desonestidade altamente suspeita, porém não provada, que Mikael quer desmascarar há um bom tempo. A partir das informações de seu amigo, Mikael escreve um artigo em sua revista contra Wennerström, mas este consegue armar e dar a volta por cima, fazendo com que Mikael seja levado a tribunal e condenado a 3 meses de prisão por acusações sem provas. Como isso ocorre, só é explicado no final do livro.

Henrik Vanger, industrial dono do Grupo Vanger de 82 anos, aposentado, acompanha toda a carreira de Mikael, inclusive seu último infortúnio, à distância e resolve contactá-lo para lhe fazer uma proposta: investigar o que aconteceu com sua sobrinha Harriet, que desapareceu há quase 40 anos, morando na ilha partícula da família Vanger em Hedestad, mas oficialmente escrever a biografia da confusa família Vanger por muito dinheiro e por informações secretas de Wennerström. Mikael exita, mas acaba aceitando, pois ficou fascinado com o mistério que ronda o desaparecimento de Harriet e, claro, pela alta quantia oferecida e pelas informações prometidas por Henrik.

Para decidir sobre a contratação de Mikael, Henrik pediu a seu advogado e braço direito, Dirch Frode, que levantasse informações de Mikael através de uma empresa de investigações – a Milton Securities. Não pode acaso, Lisbeth Salander é funcionária desta empresa e pega o serviço de investigação sobre Mikael. Ela é uma hacker profissional, que consegue informações que mais nenhum outro investigador da empresa consegue, por isso só é chamada para os casos complicados e para clientes especiais, como foi o caso de Henrik Vanger.

Lisbeth Salander é uma mulher jovem, com seus 20 e poucos anos, esquelética, com aparência anoréxica, cheia de tatuagens e piercings, roupas pretas e pesadas, altamente fechada, agressiva, corajosa e com problemas familiares antigos que nunca foram resolvidos em sua cabeça, o que a faz ser um pouco insegura, apesar de não demonstrar. Sua mãe vive numa casa de repouso, seu pai já é falecido e não tem contato com sua irmã. Já passou uma temporada no manicômio e possui um tutor judicial, Palmer Green, que a entende muito bem, por isso têm uma boa relação. Um imprevisto acontece: Palmer Green sofre um derrame e Lisbeth ganha um novo e péssimo tutor: Nils Bjurman. Ele não deixa mais que Lisbeth controle seu próprio dinheiro e abusa sexualmente dela duas vezes. Após a primeira vez, Lisbeth tem a ideia de filmar a próxima para que não ocorra mais, porém não imaginava que a próxima fosse ser tão brutal e que fosse sofrer tanto. Apesar disso, conseguiu sua gravação, se vingou de seu novo tutor e conseguiu ficar com ele em suas mãos por causa do vídeo que gravou.

A parceria entre Mikael e Lisbeth começa quando ele precisa de um assistente de investigação no caso Harriet e Frode lhe indica a menina que lhe fez o dossiê sobre a vida de Mikael, até então desconhecido pelo mesmo. O primeiro encontro dos dois, no aparmento dela, é bastante interessante, pois Mikael consegue domar Lisbeth e convencê-la a trabalhar com ele no caso, remuneradamente, é claro, em Hedestad. Lisbeth acaba se envolvendo tanto quanto ele com o caso Harriet e a família Vanger, que está diretamente ligada a seu desaparecimento. Os dois acabam tendo um caso durante a temporada em Hedestad, por iniciativa de Lisbeth, além do caso que Mikael começou com Cecília Vanger, outra sobrinha de Henrik, pouco tempo depois de sua chegada à ilha.

Durante a investigação, a dupla descobre que o desaparecimento de Harriet está relacionado a uma série de crimes contra mulheres, aparentemente de cunho religioso, que nunca foram resolvidos, mas que Harriet sabia quem os havia cometido. Mikael e Lisbeth descobrem todos os mistérios tenebrosos que cercam a família Vanger, fazendo com que Mikael sofra duas tentativas de assassinato por parte de um membro da mesma.

A narrativa é toda em 3ª pessoa e extremamente detalhada. O autor conta diversos fatos da vida de cada personagem para explicar como se tornaram as pessoas que são atualmente, além de descrever em mínimos detalhes todas as situações ocorridas durante a história. Eu adoro saber mais sobre os personagens quando leio e analisar cada um psicologicamente, então gostei bastante das descrições de Stieg Larsson.

Algumas partes do livro são muito específicas, como o capítulo em que Mikael encontra seu amigo que lhe conta sobre Wennerström em linguagem jornalística econômica e uma parte em que Lisbeth explica a Mikael sobre um sistema novo de hakeamento de computadores em linguagem técnica. Como eu não entendo nada destes temas, fiquei boiando nessas partes, que se tornaram um pouco maçantes para mim, principalmente a primeira citada, pois possui muitas páginas. Precisei reler algumas partes para entender melhor.

A história é muito boa, instigante e empolgante em várias partes. À medida que os mistérios são descobertos, dá mais vontade de ler o livro! O autor faz algumas observações ótimas sobre os fatos, as atitudes e os sentimentos dos personagens. A leitura do livro não é leve nem fácil, e nem rápida, então se você não faz leitura dinâmica e não tem paciência para complicações e para reler algumas frases, não leia o livro. Contudo, se você adora mistérios, comece já a ler os livros da Trilogia Millennium e veja os filmes!

Para saber mais sobre a trilogia e sobre o autor, acesse o site oficial e a página do Facebook.

NOTA:  

Alguns trechos do livro que me chamaram a atenção e que podem ser entendidos fora do contexto por quem não leu o livro:




Mais capas de Os Homens Que Não Amavam As Mulheres:


Capas e boxes da Trilogia Millennium:










Título Original: Män Som Hatar Kvinnor
Gênero: Drama, Mistério, Suspense
Direção: Niels Arden Oplev
Roteiro: Nikolaj Arcel, Rasmus Heisterberg, Stieg Larsson
Produtores: Anni Faurbye Fernandez, Jenny Gilbertsson, Jon Mankell, Lone Korslund, Mikael Wallen, Ole Søndberg, Peter Nadermann, Søren Stærmose, Susann Billberg-Rydholm
Origem: Suécia
Duração: 152 minutos
Ano: 2009


Antes de ler o livro, vi este filme. Aliás, foi o que me fez querer ler o livro. Fiquei ainda mais empolgada quando descobri que era uma trilogia! Eu amei toda a história e se tornou um de meus filmes favoritos! Só depois que li o livro percebi que os roteiristas mudaram algumas partes da história, que, sinceramente, deixaram-na melhor e tornaram-na mais dinâmica. Claro que seria impossível fazer um filme com todos os detalhes que o livro possui, a não ser que tivesse em torno de 6 horas.

Foram retirados vários detalhes da história, a maioria desnecessários; somente um fato acho que poderia ter sido mantido – Anita Vanger, prima e melhor amiga de Harriet, estar viva e morando em Londres, em vez de morta, como é mostrado no filme. Ela é uma personagem-chave do filme, então não deveria ter sido cortada dessa maneira. O caso ocorrido entre Mikael e Cecilia foi cortado e realmente não era necessário para o decorrer da história, até atrapalharia o desenvolver do filme, que se tornaria mais lento. Só houve uma insinuação de interesse entre os dois no filme, um clima no ar; achei pertinente. Outra coisa que foi mudada no filme é o fato de Harriet ter cabelo preto, e não loiro, mas isto melhorou o mistério, assim como o fato de Nils Bjurman ser um homem com uns 60 anos, gordo, feio e nojento em vez de um homem de meia idade, loiro, alto, atlético e charmoso que joga golfe, como no livro.

Gostei muito mais do modo como Mikael e Lisbeth tiveram o primeiro contato neste filme que no livro. Além disso, há mais interação entre ambos no filme que no livro, tornando as descobertas dos mistérios mais interessantes. Os atores que interpretam os dois parecem que foram feitos para os personagens! Michael Nyqvist e Noomi Rapace conseguiram passar todo o sentimento que o autor quis passar no livro de forma brilhante! Todo o elenco foi escolhido muito bem, mas estes dois realmente merecem destaque.


Título Original: The Girl with the Dragon Tattoo
Gênero: Drama, Mistério, Suspense
Direção: David Fincher
Roteiro: Steven Zaillian, Stieg Larsson
Produtores: Berna Levin, Ceán Chaffin, Ole Søndberg, Scott Rudin, Søren Stærmose
Origem: Estados Unidos da América
Duração: 158 minutos
Ano: 2011

Esta versão americana da história de Stieg Larsson foi mais fiel ao livro do que a sueca, porém não a superou em nada. Ela manteve algumas coisas dispensáveis do livro, como um gato ruivo que busca abrigo na casa de Mikael, que o filme ainda o modifica para cinza. O caso que ocorre entre Mikael e Cecilia Vanger também é excluído nesta versão, com apenas algumas insinuações. Harriet também é loira, e não morena, nesta versão. Uma coisa que não entendi é porque o roteirista resolveu mudar o modo como Harriet é descoberta, porque ficou uma porcaria. Não posso contar para não estragar o final, mas o do livro é o melhor de todos, pois está relacionado à Anita Vanger, que é já falecida na versão sueca.

Não gostei das escolhas de parte do elenco, gostei do fato de terem escolhido atores suecos para interpretar alguns personagens do filme, deu mais veracidade. Daniel Craig não combina em nada com o Mikael Blomkvist, pois o personagem tem um lado doce, o que Craig não consegue interpretar, já que é extremamente bruto. Rooney Mara como Lisbeth Salander está algo forçado, não só pelo figurino como por sua interpretação. Dá para perceber que ela não está muito à vontade dando vida à Lisbeth. Já os atores que interpretam Martin Vanger e Nils Bjurman - Stellan Skarsgård e Yorick van Wageningen - foram bem escolhidos e interpretaram bem os papéis que lhe foram designados. O Christopher Plummer ficou bem no papel de Henrik Vanger, apesar de eu preferir o ator sueco Sven-Bertil Taube no mesmo. A atriz que interpreta Harriet Vanger jovem neste filme é infinitamente menos bonita que a do filme sueco, mas o contrário acontece com a atriz que interpreta Erika Berger.

Um ponto forte do filme que agradou muito a quem assistiu foi a entrada do filme, com vários efeitos computadorizados ótimos e uma boa música combinando. Porém, em minha opinião, embora sejam muito bonitos visualmente, os efeitos não têm nada a ver com o filme. Já esperava por algo assim, já que o filme é americano e americanos adoram colocar efeitos em seus filmes. O filme é bom, mas eu teria gostado mais se não tivesse visto a versão sueca, que é bem melhor em todos os sentidos.

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