quinta-feira, 23 de abril de 2009

"Brother and sister,"

Impossível escolher apenas uma frase do texto/música Filtro Solar, do Pedro Bial. Por isso, escolhi três – uma frase (ou melhor, uma oração verbal) e dois trechinhos.

“Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.”


Ser leviano significa ser imprudente, proceder precipitadamente, sem refletir.
Ser leviano com o coração dos outros é brincar com os sentimentos alheios como se não tivessem importância. Pessoas de coração leviano, provavelmente, são aquelas que se deixam iludir por outras e possuem pouco (ou nenhum) amor próprio, que mesmo sabendo que estão se iludindo, preferem continuar com aquela obsessão, vivendo em meio a mentiras. Em ambos os casos, é horrível para todas as pessoas envolvidas, pois há sofrimento simultâneo.

Ser iludido e iludir-se são coisas diferentes, mesmo que, geralmente, não as diferenciemos e apenas soframos as consequências da ilusão. Ser iludido é deixar-se iludir por alguém; iludir-se é algo feito por conta própria, com uma “ajuda” (in) direta de outro alguém. A pior coisa é criar uma ilusão em alguém, fazer nascer um sentimento que não pode ser correspondido. Quem se ilude, o faz sem perceber, enche-se de uma esperança que, muitas vezes, nem sabia onde estava escondida ou que existia. É por isso que sou sempre a favor da verdade e da clareza, de ‘pôr as cartas sobre a mesa’. Depois que as pernas da mentira são alcançadas, piora tudo. É aquela velha frase clichê: prefiro ser magoada com a pior verdade do que iludida com a melhor mentira.

“Cante.”
“Dance. Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.”

Cantar e dançar. Algumas das melhores coisas da vida. Quem canta, seus males espanta, e quem dança também. Quando cantamos, dançamos. Quando dançamos, cantamos. O canto e a dança estão interligados, são movidos pelos sons e por movimentos, cada um com seu qual; e ligados diretamente à música, que é a expressão da alma. Eu não consigo dançar sem cantar, mesmo sem saber direito a letra; nem cantar sem dançar, nem que seja só mexer os pés, as mãos e a cabeça. Quando os dois se juntam, misturam-se de tal forma que não querem mais se separar, e nem eu quero me separar deles.

Ao cantar, liberta-se o que está preso lá dentro, por algum motivo. Quantas vezes você já ouviu uma música e falou ou pensou “nossa, essa música parece que foi feita pra mim!”? Ao dançar, movimenta-se todo o corpo, todas as partes que quisermos libertar; podemos libertar o que quisermos dançando. Sou totalmente a favor do dance like no one’s watching (dance como se ninguém estivesse assistindo), é a liberdade total do corpo e da alma. O maior movimento é a capacidade de expressar-se.

Sublime liberdade é dançar e cantar!

Texto escrito para o Blorkutando.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Fé Na Razão

O embate entre a fé e a razão nunca foi tão fortemente discutido. A fé quer provar que está certa, ao mesmo tempo que a razão quer provar que está certa. O que as duas talvez não percebam é que ambas estão certas. Não se pode dizer que a fé está errada, pois depende das pessoas acreditarem ou não, mas também não se pode dizer que a razão está errada, visto que ela possui provas reais de seus acertos. Por que Adão e Eva, por exemplo, não poderiam ser macacos que depois evoluíram para homo sapiens? Nada impede, não é? Por que a fé e a razão não podem estar ligadas? Este e outros são pontos a se pensar e a serem questionados.


Ter fé é acreditar intensamente em algo, não importa o quê. A fé, por convenção, é vinculada diretamente à religião, mas não necessariamente só a ela. Ter fé não está errado, muito pelo contrário; admiro quem consegue ter fé num mundo cada vez mais descrente e desligado do lado espiritual. O que está errado é se deixar cegar por ela. Isto é perigoso porque pode levar ao conformismo – tudo o que acontece na vida de uma pessoa, ela “culpa” a justiça divina, quando, na verdade, não é assim. Deus pode ajudar, mas temos que fazer a nossa parte também. De que adianta rezar o dia todo para conseguir um emprego se você não correu atrás para consegui-lo e não deixou o seu currículo em lugar nenhum? Isso é que chamo de cegueira religiosa. Ainda hoje existem muitas pessoas que pensam assim, deixam a vida levá-las, quase que involuntariamente, porque se Deus quis assim é porque era para ser assim, e ponto. Não lutam por nada e se conformam com tudo o que acontece com elas. Pura alienação. Isso ocorre devido ao apego excessivo à religião. Concordo que todos precisam apegar-se em algo para conseguir viver - não necessariamente a religiões –, pois a tarefa de viver torna-se mais difícil se você não acreditar em nada acima de você, mas há limites, como em tudo na vida – crer sem exageros, pois tudo em excesso faz mal.

A razão é algo que, acredito, nos foi dado para haver um equilíbrio com a fé, para não cometermos exageros. Normalmente, a razão é relacionada à Ciência, devido à sua eterna briga com a fé, mas o ato de raciocinar não está vinculado apenas à Ciência, pois todos os seres humanos são seres pensantes. A razão costuma questionar muito a Bíblia, devido a suas passagens um tanto quanto duvidosas e machistas, e até já conseguiu provar que muitas coisas nela escritas estão erradas, como as 10 pragas do Egito. (Para quem nunca ouviu falar disso, recomendo que veja o filme A Colheita do Mal. É um filme de terror, mas mostra exatamente todas as descobertas científicas em relação às 10 pragas do Egito, como e porque aconteceram.) Além disso, como podemos acreditar plenamente em um livro escrito somente por homens? Quem garante que foi Deus quem ditou aquilo tudo para eles? Se for assim, Deus é deveras machista, porque do jeito que está escrito na Bíblia, a mulher é culpada pelo mundo ser como é e por todas as desgraças que acontecem, enquanto o homem ganha o mérito de ser o responsável por tudo de bom que acontece. E não é assim, de forma alguma. É por isso que a Ciência entra em ação na área religiosa, para provar que o mundo não é bem como a Bíblia quer nos mostrar. Pensem comigo, principalmente quem é religioso: se Deus achasse errado os homens tentarem provar com a Ciência que nem sempre a Bíblia e a fé estão certas, e fosse mentira o que provaram, Ele não lhes daria inteligência para fazer tais descobertas. Sendo assim, pode-se dizer é correto não acreditar sempre em tudo, é preciso questionar. Tudo o que o ser humano construiu até hoje começou com questionamentos. Nem tudo o que lemos e ouvimos está certo, até porque existem opiniões diferentes, fazendo com que o conceito de certo-e-errado, muitas vezes, caia. Porém, se algo é provado cientificamente, fica bem mais difícil negar que está certo. A Ciência erra? Erra, mas conserta depois, e aí acerta.


É por essas e outras que meu lado racional é maior que o espiritual. Acredito no que é possível ser provado, detesto me sentir enganada. Os homens distorcem demais a verdade porque querem manipular as pessoas que têm fé; vide o caso dos bispos que enganam e extorquem as pessoas nas Igrejas por aí. Acredito que exista algo acima de mim, mas sou um tanto aversa a religiões, pois cada uma distorce a Bíblia de forma que lhes seja vantajoso. Pra mim, acreditar em Deus já é o bastante. A fé tem sua razão de ser, e a razão tem a sua fé para seguir em frente. O importante é haver um equilíbrio entre as duas dentro de cada um.

Texto escrito para o Blorkutando.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Felicidade Monetária

O dinheiro pode comprar pessoas, mas não pode comprar o amor que elas podem sentir por você, nem carinho, nem amizade, nem respeito, nem nenhum outro sentimento; isso é fato. Entretanto, todo o resto ele pode comprar. Ninguém gosta que falte dinheiro no fim do mês, ninguém gosta de ficar sem dinheiro; então o que é isso de dizer que dinheiro não traz felicidade? Traz, sim. Apenas não te deixa plenamente feliz, ou até deixa dependendo da pessoa. Todo mundo precisa de amor, mas também precisa de dinheiro, senão vários casamentos não estariam sendo desfeitos por causa da falta de cifras na conta bancária.

Quem diz que dinheiro não traz felicidade é porque nunca teve um dinheirinho a mais ou nunca ficou sem ele. Isso é hipocrisia pura. Experimenta só ser chamado pra ir ao cinema pelos seus amigos e você não ter dinheiro pra ir pra ver se você vai ficar feliz... Aí você vai falar “Vou ficar feliz, sim. Vou ficar em casa e ver o filme que está passando na Globo com a minha família”? Alguém te chama para ir a uma festa super legal, mas você não tem dinheiro para comprar o ingresso nem a roupa adequada para ir; e todos os seus amigos vão. Você não vai ficar feliz com isso, vai? A sua pele está horrível, cheia de espinhas, manchada e/ou cheia de marcas. Você não tem dinheiro para ir ao dermatologista ou tem plano mas não tem dinheiro para comprar os medicamentos caríssimos. Vai me dizer que você vai deixar pra lá, olhar pro espelho e dizer pra si mesmo “Como estou feliz!”? Claro que não (para todas as situações) né. Alô! Acordem! Vivemos numa sociedade onde o dinheiro é essencial e não existe sem ele. Dinheiro traz felicidade, sim, e muita. Ele compra coisas necessárias para a nossa sobrevivência física mas também para a sobrevivência do nosso ego, e sem ela você não fica feliz. Você pode se divertir em casa e muitas vezes acaba gastando dinheiro para tal, mas também precisa sair nem que seja de vez em quando para fazê-lo também, sair com seus amigos, comprar uma coisinha ou outra para satisfazer a sua vontade, comer fora de vez em quando, tomar um sorvete, socializar, se arrumar, se sentir bonito, se sentir bem. E para isso, meus amigos, é necessário dinheiro.



Muitas das ditas coisas simples da vida não são feitas sem dinheiro, e se o são, não têm a mesma graça. Por exemplo, passear na praia ou na Lagoa. Você se veste, põe seu MP4 no ouvido, vai caminhando calmamente ouvindo a sua música, quando você fica com sede ou sente vontade de tomar algo, um coco talvez. E como você vai fazer pra tomar? Comprando. E o que compra a bebida? O dinheiro. A mesma coisa quando você sente aquela fominha na rua ou um desejo incontrolável de comer algo. É o dinheiro que vai comprar tudo isso. A felicidade não é feita de pequenas coisas? Então. Quando você compra alguma coisa que quer muito, a felicidade pode até ser momentânea, mas é enorme. Felicidade plena não existe, ela é feita de momentos felizes, e temos de aproveitar todos eles. Você não estará feliz sempre, então qual o problema de gastar um dinheirinho para levantar o astral e se sentir bem consigo mesmo?

Não entendo essa mania das pessoas de dizer que dinheiro não traz felicidade. Deve ser para não parecer capitalista aos olhos dos outros. Quanta hipocrisia... Querem saber? Prefiro uma pessoa assumidamente super consumista a uma que esconde seu instinto consumista só para passar uma imagem “positiva” de desapegada aos outros.

Existem pessoas que conseguem ser felizes sem dinheiro, mas são casos isolados de pessoas desapegadas de coisas materiais. Acho meio estranho, apesar de achar ótimo não ser materialista; é muito mais fácil viver sem se importar com bens materiais. Entretanto, vivemos numa sociedade onde impera o capitalismo selvagem, de pessoas que engolem pessoas, que passam por cima de outras, que destroem, que até matam por dinheiro. Se o dinheiro fosse tão ruim assim e não trouxesse nem um pouquinho de felicidade, isso não aconteceria. Ninguém gosta de viver na miséria, e se puder viver num luxo mínimo, não há quem não prefira.

É por isso tudo que eu sempre digo: já que você acha que dinheiro não traz felicidade, dê-me o seu e seja feliz!

E como disse hoje o meu professor de Sociologia: “Dinheiro não traz felicidade, mas eu posso estacionar o meu iate ao lado dela.”

Texto escrito para o Blorkutando.

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